Ocidentalização

Respeitando as Diferenças

A procura de cirurgia plástica no Brasil pelos descendentes de orientais vem crescendo cada vez mais nos últimos tempos. Mas é preciso respeitar as diferenças entre os padrões estéticos oriental e ocidental.O padrão estético oriental é diferente do ocidental. A conformação óssea, as proporções e dimensões de cada estrutura são diferentes.”Temos que respeitar as características de cada um e fazer sobressair a estética de cada tipo étnico. Cada um tem a sua beleza e a função do cirurgião é ajudar a exteriorizá-la”, acrescenta. Para isso, ela estudou durante muito tempo o padrão estético dos orientais e chegou a variadas técnicas que podem ser utilizadas. Vamos conhecer as opções mais procuradas.

Pálpebras

No nosso meio tem havido uma procura cada vez maior de pacientes com características orientais para construção cirúrgica do sulco órbito-palpebral superior. Isso se deve provavelmente à influência do padrão estético ocidental nos orientais e seus descendentes. As técnicas descritas satisfazem quanto ao objetivo da construção do sulco, mas a característica do sulco é o fator preponderante do resultado. O melhor resultado só é conseguido quando se leva em consideração a forma do sulco que mais se adapte, em primeiro à face e segundo ao caso específico”.”Com a finalidade de atender a estes fatores é que estamos empregando a tática cirúrgica por nós estabelecida com resultados satisfatórios”, diz a cirurgiã em pesquisa publicada na revista de cirurgia plástica Ibero Latino Americana. A altura do sulco do olho de um indivíduo ocidental mede de 10 a 15 mm. Metade dos orientais nasce com este sulco medindo entre 5 a 8 mm. O nome complicado acaba sendo substituído erroneamente pela palavra ocidentalização.”Nessas pessoas os cílios ficam virados para baixo e muitos deles acabam entrando nos olhos, causando até úlcera de córnea. Após a cirurgia os olhos ficam maiores, dá para ver melhor a pupila e os cílios se voltam para cima. As gordurinhas, que existem em grande quantidade nos olhos dos orientais, são retirados e o olho não fica mais com aquele aspecto inchado. Esta é uma das cirurgias mais procuradas entre orientais porque a expressão do rosto fica mais estética. Se o profissional não respeitar as diferenças de padrão estético, o resultado pode ser desastroso, fica artificial”.Segundo a especialista, tecnicamente o que se faz, para um resultado definitivo é uma incisão com anestesia local, retira-se pele, um pouco de músculo, de gordura, sutura-se e a altura deve estar no padrão de 5 a 8 milímetros. É uma cirurgia rápida, de pouco mais de uma hora e não precisa de internação. Logo de imediato já se vê o resultado. Três dias depois começa a retirada dos pontos que termina em cinco dias. Em uma semana, ou um pouco mais, a pessoa já está recuperada.

Nariz

Muitos orientais têm o dorso do nariz achatado, o chamado nariz asiático e querem aumentá-lo para dar equilíbrio maior ao perfil. Geralmente a correção é feita colocando-se implantes dentro do nariz. Os mais empregados são os silicones sólidos.”Fazemos uma escultura em cada paciente e, com anestesia local, a introduzimos pela boca, entre os lábios superior e a gengiva até chegar ao interior do nariz. Fica mais alto, estético, não aparece, nem fica marcas. O silicone tem a consistência de uma cartilagem e a pessoa nem sente. A colocação leva uma hora e meia, mais ou menos, e a recuperação é rápida”, diz. A correção também pode ser feita com material microporoso ou sintético. Pode ser utilizada a cartilagem de orelha, um pedaço do osso da bacia ou da perna, modelados na forma do nariz. Este enxerto autógeno, como é chamado, é usado em último caso para evitar rejeição, pois se integra perfeitamente. A desvantagem é que o processo é mais demorado, trabalhoso e mais doloroso para o paciente.A recuperação com o uso do silicone é rápida. A pessoa fica duas semanas com esparadrapagem e, como toda cirurgia, apresenta inchaço nos três primeiro dias. Por isso deve-se evitar o sol para não inchar mais. Os resultado são muito satisfatórios.

Mamas

Boa parte das orientais apresenta a hipomastia ou mamas pouco desenvolvidas. Uma pequena parcela apresenta perfil masculino e raramente encontra-se orientais com gigantomastia.”Como as mamas são símbolo da feminilidade, elas querem que sejam proporcionais ao corpo. Avaliamos a harmonia da proporção da paciente, da cabeça aos pés. Depois de fazer uma anamnese, sentir a emoção da pessoa, o interior dela, ouvir o que ela deseja, fazemos o exame físico. Verificamos a proporção estrutural, tórax, quadril, costas e conversamos com ela para decidir o quanto podemos aumentar as mamas, uma vez que a estética esteja na proporção”, explica a especialista. Geralmente, optamos pela colocação de uma prótese de silicone, mas primeiro discute o tipo (gel ou inflável), os riscos e explica que já existem informações científicas suficientes para utilizar o silicone sem medo. “Discutimos as incisões que podem ser do tipo areolar, preservando-se o mamilo e a sensibilidade. A cicatriz fica imperceptível. Pode também ser feita uma incisão sub-mamária, usada quando a aréola é pequena, ou ainda, a técnica transaxilar. O mais estético é o da aréola talvez por isso seja o mais pedido”.”A recuperação é tranqüila e a cirurgia leva pouco mais de uma hora. As pacientes mais agitadas ficam internadas por 24 horas ou operam de manhã e vão embora à noite. Usa-se anestesia geral ou local, se a pessoa estiver tranqüila. As pacientes apreciam muito os resultados”.

Bumbum

Algumas orientais têm o glúteo ‘achatado’ e querem aumentá-lo. Isso é feito com uma incisão de 5 cm no sulco que já existe na nádega, por onde é colocada uma prótese de silicone que deve ficar na parte superior. Assim evita rompimentos. O pós-operatório é difícil, porque a pessoa tem que ficar de bruços durante a primeira semana, tomando analgésicos. Só pode se sentar depois de 15 dias. A cirurgia é feita no hospital com anestesia peridural ou geral”, diz a cirurgiã.

Cuidados especiais

Segundo a Dra. Edith Horibe, a pele dos orientais requer cuidados especiais devido à melanina e à maior tendência ao aparecimento de manchas. A especialista atua com uma filosofia um pouco diferente do modo do atendimento geral. “Temos como filosofia de atendimento ao paciente, enxergá-lo como um todo. Vemos não só sua parte externa, sua queixa orgânica, mas também sua parte interior, emocional, psicológica a algo mais profundo, a parte espiritual da pessoa. Fazemos com que haja uma integração desses três aspectos para que o tratamento aconteça de um modo globalizado. A ideia é promover o equilíbrio global do paciente para que se sinta mais feliz”, explica a cirurgiã.

Estas orientações podem sofrer variações dependendo de cada paciente.